Todos conhecerão o enorme poeta repentista e popular que foi o Aleixo, uns
mais outros menos.
Teve uma vida difícil: doente dos pulmões, econòmicamente rondando a
miséria, com uma casa cheia de bocas para alimentar, mulher e muitos filhos.
A este respeito dizia ele:
Fui polícia, fui soldado,
Estive fora da Nação,
Vendo jogo, guardei gado,
Só me falta ser ladrão.
Ainda conheci, no liceu de Faro, o Dr. Magalhães, pessoa que muito o ajudou
durante toda a sua vida e que recolhia os versos que o Aleixo expontâneamente
dizia quando e onde calhava ou para isso era instado: nas feiras, na rua, na
sua actividade de cauteleiro.
O próprio Aleixo, quase analfabeto, dizia:
Não há nenhum milionário
que seja feliz como eu
tenho como secretário
um professor do liceu.
Tenho todo os livros dele que, com a ajuda do Dr. Magalhães, o filho do
Aleixo publicou.
Os seus versos, de uma oportunidade, perspicácia, inteligência,
profundidade e humanidade espantosas, já li não sei quantas vezes.
Mas uma quadra há que nunca tinha visto e que vem referida no livro de Neto
Gomes, publicado pelo município de Vila Real de Santo António sobre o "Zé
Aranha", outro algarvio popular, também vila-realense:
Dos seus antepassados
Ele tem retratos na sala,
Mas da puta que o pariu
Nem tem retratos nem fala...